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Quando o chamado se torna um fardo

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Nossas vidas têm um propósito que não pode ser substituído por nenhum outro: Glorificar ao Senhor que criou desde as flores frágeis e perfumadas de nosso planeta, às belas estrelas de nossa galáxia. No entanto, Deus dá a cada uma de nós chamados específicos, de maneira que cada uma de nós tenha uma função no corpo de Cristo, como escreveu o Apóstolo Paulo em 1 Coríntios 12, para que possamos cumprir o propósito para qual fomos criadas: Exaltá-Lo.

Eu tenho um grande amor pela escrita. Me alegra o coração poder exaltar ao Senhor através daquilo que escrevo. Penso comigo mesma que por ora, não há outra coisa que eu faça melhor, senão cumprir o que creio ser meu chamado. Mas nem só de dias agradáveis com xícaras de chocolate quente e um bloco de notas eu viverei. Quando não sou capaz de escrever ou praticar o aconselhamento que está ao meu alcance, sinto o terrível sentimento de que estou falhando com Deus e comigo mesma, passando a me cobrar em excesso.  Em certo período de minha vida, essa cobrança se transformou em angústia. O ego humano pode muitas coisas, inclusive se colocar no centro de nossas obras quando não há vigilância. Meu coração [eu] precisou ser perdoado por causa do pecado da comparação e autoafirmação em muitos momentos.

Tenho o prazer em ler obras de escritoras cristãs, minha mini biblioteca em construção possui alguns títulos. Mas há não muito tempo, algo desagradável estava acontecendo em meu coração. Conforme minha lista de leituras e ensinamentos cresciam, passei a me questionar se a maneira como eu escrevia deveria permanecer a mesma ou eu deveria mudá-la. Meu ego me dizia que outras mulheres demonstravam mais conhecimento teológico e intelectual, e eu deveria fazer o mesmo. O pecado da comparação e autoafirmação me angustiavam. Eu me sentia envergonhada ao escrever. Desistia antes mesmo de tentar pelo medo de começar e não ser capaz de terminar. Minha preocupação em manter as redes sociais atualizadas me forçava a isso. A caixa de mensagens com pedidos de ajuda se acumulavam. Nada parecia correto ou bom o suficiente. Meu chamado que era amado, havia se tornado um infeliz fardo.

Eu estava perdendo a simplicidade e estava pecando em me comparar com outras mulheres cristãs. Me sentia como uma árvora morta, que em nada frutífera. O incômodo em meu coração se tornava cada vez maior. Algo estava errado e o Espírito não me poupou o sofrimento. O cansaço mental se tornou exaustão. Onde estava minha simplicidade? Minha paixão e preocupação em cumprir verdadeiramente meu chamado? Do jeito que eu me encontrava, pedi perdão a Deus, mas comecei a ter dúvidas se eu poderia continuar o glorificando com aquilo que escrevo. Tive dúvidas se essa era uma maneira de o glorificar. Me sentia envergonhada e ferida, cogitava a possibilidade de que minha capacidade de escrever estava sendo retirada por Deus. Mas reconhecer o quão errada eu estava me fez perceber que quando cumpro meu chamado para minha autoafirmação e não para glorificar a Deus, eu tendo a me sentir e comportar de forma infrutífera.

O cansaço e a exaustão mental haviam chegado até mim, mas pude agradecer a Deus por sua misericórdia em permitir que isso acontecesse, porque assim pude perceber e entender que não posso abandonar minha simplicidade para demonstrar conhecimento. Não estou dizendo que há problema em ler bons livros e desenvolver o intelecto, porque não há. O problema consiste na egolatria do coração humano corrompido pelo pecado que despreza a simplicidade. Para Deus, não importa quantos livros eu leia ou o quanto de conhecimento teológico eu tenha, o que importa, fundamentalmente, é se minha vida de oração e leitura da Palavra são minhas prioridades, afinal, posso ser uma mulher com bagagem intelectual e ser ôca como uma fruta não colhida, caída e envelhecida.

Minhas dúvidas e receios acerca do meu chamado têm sido amenizadas dia após dia. Levei algum tempo para escrever este texto, mas aqui estou, o finalizando. Uma de minhas frases favoritas de C. S. Lewis diz:

Para quem está na estrada errada, progredir é dar meia volta e retornar a direção correta.”¹

Da comparação a autoafirmação, retornei para a estrada em que tudo é sobre Cristo, seu caráter, sua honra e sua graça.

Essa é uma pequena parte da minha história e de como Deus foi misericordioso comigo. Mas, talvez, você tenha se identificado com ela. Talvez, tenha dúvidas acerca do seu chamado ou esteja no caminho da comparação e autoafirmação como eu estive. A boa notícia é que você pode e deve se arrepender de seus pecados e retornar a direção correta. Assim como eu, você pode se sentir incapaz e amedrontada, mas não se trata de nos autocapacitarmos. Elyse Fitzpatrick, autora cristã da qual gosto muito, escreveu o seguinte:

… Ele graciosamente a capacitou para cumprir o ministério para o qual a chamou, exatamente da mesma maneira que capacitou o jovem Timóteo – que precisou lutar contra o medo (grifo meu). Você talvez não seja chamada para o ministério de tempo integral ou para a liderança da igreja, mas seja qual for o seu chamado, quer seja de ser mãe, estudante ou executiva, ele lhe deu tudo que precisa para cumpri-lo. Nessa capacitação, o Senhor não colocou em seu coração uma atitude de covardia ou timidez. Não, se você é cristã, ele habita em você com o seu Espírito: seu poder, seu amor, sua moderação para ter uma mente sã. É por causa do caráter de Deus que habita em nós que Timóteo, você e eu podemos cumprir o seu chamado em nossas vidas.”²

É confortante saber que Aquele que nos chama, também nos capacita. Não estamos a mercê de um mundo caído sem a proteção e cuidado de nosso Pai. Fomos criadas para glorificarmos a Deus e em tudo o que fizermos deve haver uma amostra da sua mais pura graça. Certa vez, o pastor Paul Washer disse:

Nossos chamados são irrevogáveis.”³

Assim, seja para o que for que Deus nos chamou especificamente, seja qual for a nossa função no corpo de Cristo, devemos fazê-lo com simplicidade e amor, levando em todo tempo nosso coração em obediência e humildade.


¹C. S. Lewis. Cristianismo puro e simples

²Elyse Fitzpatrick. Vencendo medos e ansiedades

³Paul Washer. O propósito do casamento

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Laureane Antunes

Laureane Antunes

Cristã e tenho 22 anos. Sou criadora do blog Alma com Flores, no entanto, se não fosse pela Graça de Cristo, nada disso seria possível. Apenas em meu Salvador posso florescer.

1 Comment

  1. Daniela

    ❤🙏🏾

    12 . out . 2019

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