in Casamento

Para aquelas que dirão “sim”

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Há quase 4 anos, Cristo me trouxe a fé, e por um bom tempo, Ele foi mais que suficiente, se o mundo fossemos só eu e Ele, tudo bem, já que tudo só era bom se fosse com Ele, por Ele e para Ele. Eu só tinha prazer nEle e não via nenhuma outra razão de existir que não fosse pra glória dEle. Mas um dia as coisas começaram a mudar, tão sutilmente que quando percebi estava aqui, desejando algo além dEle: O casamento.

A princípio isso me pareceu legítimo, tanto porque o próprio Deus viu que não era bom que homem estivesse só, por isso lhe providenciou uma auxiliadora idônea (Gn 2.18), quanto por não ter o dom do celibato, portanto, seria melhor casar que abrasar (1 Cor 7.9). Então passei a orar nesse propósito, pedindo que o Senhor me concedesse um marido, cheio do Espírito Santo.

Isso já faz algum tempo, aliás, um bom tempo… Realmente não entendia o porquê da demora, parecia que Deus não estava atento às minhas orações, como se elas não atravessassem o teto do meu quarto. Até que um dia respeitosamente, O perguntei: “Por que Pai? O que há de errado comigo?” (Essa é a típica pergunta de quem parece não ter entendido absolutamente nada sobre o Evangelho, melhor seria perguntar se há algo certo em mim que não seja Cristo). Levei alguns dias pra ser respondida, enquanto isso, a dúvida ecoava na minha mente. E eu insistentemente tentava convencê-Lo que queria me casar para a glória dEle (é o que a gente sempre diz, né?). Mas aí me veio aquele “estalo”: Até que ponto isso é verdade? Por que quero tanto me casar?

Ah, essa é fácil! Para ser amada, cuidada, protegida, suprida nas minhas carências, amparada nos dias maus e para ter alguém que me aproxime mais de Deus. Isso tudo me pareceu bem justo, e um tanto piedoso, até que “ouvi” o que havia acabado de dizer.

Santo Deus, tenha misericórdia de mim! Minha resposta foi tão sincera, quanto egocêntrica. Nenhum filho amado do Pai merece uma esposa assim! Recorri a Bíblia. Primeiro ela me mostrou o óbvio, que os decretos de Deus não têm por fim atender aos meus caprichos, mas visam a Sua glória (Ef. 1.12) e a nossa conformidade a imagem de Cristo (Rm 8.28 e 29). Depois mostrou o que havia de errado com a minha motivação.

Ser amada

O amor do marido pela esposa é inerente ao casamento bíblico, ele é ordenado ao homem. Cabe a ele obedecer ao Pai amando a sua esposa com amor sacrificial (Ef. 5.25), e cabe a nós mulheres, em tudo, nos sujeitarmos aos nossos maridos, como ao Senhor, porque o marido é a nossa cabeça. Sim, sim… Conhecemos a passagem, mas quantas vezes já oramos para que Deus nos torne mulheres submissas? Independentemente se eles (maridos) merecerem ou não a nossa submissão, por amor e obediência a Cristo (Você já deve estar começando a ver o problema).

Cuidada

Se Cristo realmente é Senhor da minha e da sua vida, em tudo Ele já tem cuidado de nós (Mt. 6.26, 1 Pe 5.7 e Sl. 32.8)

Protegida

É certo que o marido deva ser capaz de proteger a família, mas ele não será capaz, senão em Cristo (Nossa esperança está no Senhor, Ele é o nosso auxílio e a nossa proteção Sl 33.20). Deus não precisa de um marido para proteger suas filhas solteiras, porque Ele é a nossa Rocha, nosso Refúgio e nos guarda sob Suas poderosas asas.

Minhas carências

O romancista russo Fiodor Dostoiévski escreveu: “Há no homem um vazio do tamanho de Deus”, creio ser essa uma verdade inquestionável. Lamentavelmente muitos de nós (homens e mulheres), levamos bastante tempo para entender isso, e alguns nunca se darão conta. O resultado será uma vida de incompletude e constantes frustrações, não há como ser diferente se depositamos em outro pecador as expectativas romantizadas de sermos satisfeitos por qualquer outro que não seja Cristo.

Os dias maus

Sabemos que eles virão. Aqui nesse mundo hostil onde peregrinamos, eles são inevitáveis. Mas como a Palavra nos ensinar a lidar com eles? Casando? Sabemos que não. O texto de Efésios 6.13 diz “… tomai toda a armadura de Deus, para que possais resistir no dia mau, e tendo feito tudo, permanecer firmes”, portanto, tenhamos no Espírito Santo o nosso Ajudador.

Alguém que nos aproxime de Deus

Você deve estar pensando: “Ah, pelo menos isso tá certo, vai!”. Isso é muito bom, mas antes precisamos desejar sermos esse alguém, que aproximará os nossos futuros maridos de Deus. “Quem encontra uma esposa, encontra algo excelente; recebeu uma benção do Senhor” Pv. 18.22 (Você acha que eu orava para ser uma benção na vida do meu futuro marido? E você, ora?). Percebe onde está problema na maioria dos casamentos hoje em dia, até entre cristãos?

Não raramente, queremos satisfazer os nossos desejos egoístas, e consequentemente, a glória de Deus não é o nosso maior objetivo no casamento, porque se fosse, oraríamos: “Pai, me prepare para ser a melhor amiga do meu marido, uma verdadeira auxiliadora idônea, uma esposa sábia, amorosa, misericordiosa, submissa, humilde e piedosa, que ele te glorifique muito Senhor, pela minha vida e testemunho…”, mas não é assim que normalmente oramos. Concorda?

Gastamos muito tempo dizendo a Deus como queremos que nosso esposo seja, e não vejo problema nisso, contanto que oremos ainda mais para sermos as mulheres que esses homens (quase perfeitos do nosso mundo imaginário) merecem. Ainda assim, algumas de nós se casarão com homens inaptos justamente naquilo que tanto almejamos que eles sejam aptos, porque Deus também cumpre seus propósitos na imperfeição dos nossos cônjuges.

Certa ocasião, Paul Washer disse que o casamento é um dos principais meios utilizados por Deus na santificação do homem. Sendo assim, faz algum sentido pensarmos que nossos maridos nos satisfarão em tudo? Claro que não, e nem nós a eles. Mas oramos que a maravilhosa graça de Deus abunde em nossos corações.

Em última análise, o casamento não é outra coisa senão um pacto de uma filha e um filho de Deus, que compartilharão de uma vida de renúncia e cuidados mútuos, que se unem no propósito de servi-Lo por meio do matrimônio. Moças, servimos a Cristo em nosso papel de esposa, portanto nos esforcemos nesse ministério para que nosso Senhor seja glorificado.

Quanto ao tempo de espera, agora estou em paz, descansando nos cuidados soberano dAquele que é o dono do relógio, vendo que esse tempo solteira, não tem sido em vão (nunca é), porque diariamente, o Pai graciosamente tem me concedido mais da Sua sabedoria, isso também deve estar acontecendo com você, não é?!

Querida irmã, não quero desanimá-la, ao contrário, quero encorajá-la a se preparar para o casamento bíblico, ciente do que está desejando para si, porque olhando para grandes mulheres da Bíblia e da Igreja ao longo dos séculos, pude observar que a vida de casada delas consistiu muito mais em servir, que serem servidas; auxiliar, que serem auxiliadas; suprir, que serem supridas e em dar, que receber. São histórias de muito amor e altruísmo. Elas pagaram prazerosamente o preço, e você está disposta a pagar também?

Enquanto isso, clamemos que solteiras ou casadas, realmente vivamos para o louvor da glória de Deus, nos regozijando em Cristo, desfrutando no mais profundo prazer nosso Amado Senhor e da plenitude que só o Espírito Santo nos dá, sem ansiar pelo casamento como nossa fonte de felicidade, sob pena de idolatrá-lo.

“Deus prometeu suprir todas as nossas necessidades. O que não temos agora, não precisamos agora.” Elisabeth Elliot

Deus te abençoe, futura esposa virtuosa!

Por: Kate César. Original: Reformada Puritana.

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