in Entre amigas, Mulher cristã

Delicadamente forte

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Todos os seres humanos querem ser fortes e poderosos, foi o desejo por poder e força que levou nossos primeiros pais à ruína, e esse desejo tem marcado a história da humanidade. Em contraste, a fraqueza é ridicularizada, e, por isso, ninguém quer parecer fraco, então escondemos nossas fragilidades e nos gabamos de nossa suposta força. De alguma forma, acreditamos que temos força em nós mesmos e dessa maneira nos colocamos numa situação de grande perigo, pois essa ilusão da força do nosso braço nos impede de ter a verdadeira força.

As demonstrações de força e fraqueza em nosso mundo caído têm sido evidenciadas em seus aspectos mais pecaminosos. A força é usada para a destruição, empenhada em causar maiores danos, é impiedosa. Já a fraqueza se expressa em vitimismo e revolta silente e amarga diante das circunstâncias.

As Escrituras nos mostram uma visão bastante diferente desses opostos. Primeiro ela nos ensina que todos nós somos realmente fracos. Veja o salmista pedindo que Deus lhe mostre a brevidade de sua vida a fim de entender sua fragilidade:

Ó SENHOR, mostra-me meu destino e quantos dias viverei, para que eu saiba como sou frágil.” (Salmo 39.4)

Como a vida de todo ser humano é breve comparada às realidades eternas, todos os seres humanos são frágeis, ninguém é forte em si mesmo. É importante para a correta compreensão de quem nós somos em Cristo, que entendamos que somos todos fracos, e a consciência dessa fraqueza deve nos levar a Deus, pois quando a Bíblia insiste em falar das nossas fraquezas é para nos mostrar a necessidade que temos de Deus, de Sua ajuda.

O apóstolo Paulo foi uma das pessoas que melhor entendeu essa relação da nossa fraqueza com a força de Deus, ele chegou a dizer que se gloriava em suas fraquezas, pois o Senhor lhe revelara que é na fraqueza humana que Seu poder é tão esplendidamente demonstrado. Quando entendemos isso, percebemos que não precisamos mais fingir que somos fortes em nós mesmos.

A orientação bíblica sobre como lidar com nossa fraqueza é que devemos levá-la a Deus, humildemente reconhecer que somos frágeis e necessitamos de Sua força, como disse o salmista:

O meu corpo e o meu coração poderão fraquejar, mas Deus é a força do meu coração…” (Salmo 73:26)

A Escritura também nos ensina que devemos ser fortes, e agora parece que estamos diante de uma contradição. Se somos fracos e a Escritura testemunha isso, como podemos ser também fortes? Na verdade não há nenhuma contradição, mas orientações que devem ser aplicadas a atitudes diferentes. Devemos ter consciência da nossa fraqueza diante de Deus, mas somos exortadas a ser fortes diante do mundo, dos obstáculos. Quando o Senhor falou com Josué sobre a grande missão que ele teria de liderar o povo até a terra prometida, o exortou com as seguintes palavras:

Somente seja forte e muito corajoso! Tenha o cuidado de obedecer a toda a lei que o meu servo Moisés lhe ordenou; não se desvie dela, nem para a direita nem para a esquerda, para que você seja bem sucedido por onde quer que andar.” (Josué 1:7)

Perceba que o Senhor está dizendo que para ele prevalecer diante das dificuldades que lhe sobreviria, ele precisava de três coisas: Força, coragem e obediência à vontade revelada de Deus. E a fonte dessas três virtudes era a presença do próprio Deus com ele, pois no versículo 9 o Senhor conclui dizendo:

Não fui eu que lhe ordenei? Seja forte e corajoso! Não se apavore, nem se desanime, pois, o Senhor, o seu Deus, estará com você por onde você andar.” (Josué 1:9)

Logo, a força a que Josué é ordenado a demonstrar diante das adversidades não estava nele mesmo, mas ela provinha de Deus. O pastor Josemar Bessa disse que:

Quando Deus dá a ordem: “Seja forte…”, ele também transmite a capacidade. Como Jesus ordenando o homem aleijado, “levanta e anda”.

Há recorrentes exortações na Bíblia sobre como devemos enfrentar nossas circunstâncias adversas equipados com a força de Deus. Em Isaías o próprio Deus promete ser a força do seu povo:

Por isso não tema, pois estou com você; não tenha medo, pois sou o seu Deus. Eu o fortalecerei e o ajudarei; eu o segurarei com a minha mão direita vitoriosa.” (Isaías 41:10)

Quando Moisés, já no fim de sua vida, fala ao povo sobre como o Senhor os guiaria a terra prometida, ele exorta para que:

Sejam fortes e corajosos. Não tenham medo nem fiquem apavorados por causa deles, pois o Senhor, o seu Deus, vai com vocês; nunca os deixará, nunca os abandonará.” (Deuteronômio 31:6)

Temos também o exemplo de Davi, que era frágil e sabia disso, tinha consciência de que não poderia vencer o gigante filisteu a menos que tivesse ajuda divina, por isso, ele enfrentou Golias no nome do Senhor dos Exércitos (1 Samuel 17.45) Dessa forma, entendemos que o cristão é alguém simultaneamente fraco e forte, fraco em si mesmo, forte em Deus. Vasos de barro carregando o tesouro do Evangelho, que é o poder de Deus, como está escrito:

Mas temos esse tesouro em vasos de barro, para mostrar que este poder que a tudo excede provém de Deus, e não de nós. De todos os lados somos pressionados, mas não desanimados; ficamos perplexos, mas não desesperados; somos perseguidos, mas não abandonados; abatidos, mas não destruídos.” (2 Coríntios 4:7-9)

Somos chamadas a sermos delicadamente fortes em Deus. É a força se expressando na fraqueza, sendo usada com gentileza e graça, demonstrada em humildade e servidão, resistindo às tentações, é a determinação em seguir a Cristo na contramão de tudo. Somos chamadas a sermos fortes e corajosas em tudo isso. Por nós mesmas, somos completamente incapazes de sermos delicadas e fortes simultaneamente, sempre tendemos a cair em algum extremo. Assim, podemos usar nossa fragilidade como justificativa para não lutar as guerras que nos foram propostas, para recusar o sacrifício do nosso chamado, para ficarmos inertes na estrada. Além de também podermos abraçar a força que Deus nos dá para sermos agressivas, autoritárias e até mesmo esnobes. Necessitamos da força de Deus, pois muitas são as lutas que temos de enfrentar, por isso, precisamos ser mulheres fortes, que não temem nada, senão a Deus, precisamos também associar essa força àquelas virtudes que o nosso mundo chama de fraquezas: delicadeza, doçura, submissão. O pastor John Piper colocou em termos bastante apropriados essa combinação:

Eu amo mulheres fortes!… elas combinam coisas que o mundo não consegue explicar. Elas combinam uma beleza doce, carinhosa, gentil, amorosa, submissa, feminina com esta enorme bigorna em suas costas e a teologia em seu cérebro!… Eu tento encontrar maneiras de celebrar e articular tal magnificência nas mulheres.”[1]

O segredo é sermos fracas diante de Deus e fortes diante do mundo, e é o senso da nossa fraqueza que deve nos levar a expressar a força de Deus em nós com delicadeza, doçura, humildade e beleza, para que a glória seja dada a Deus que deposita Sua incrível força em vasos frágeis e imperfeitos.

Avante, mulheres frágeis e fortes!

Escrito por: Sonaly Soares. Original Teologia e Feminilidade.

Site: www.teologiaefeminilidade.com

[1]Citado por Carolyn Mcculley em Feminilidade Radical. Editora Fiel, pg. 330


[1]Citado por Carolyn Mcculley em Feminilidade Radical. Editora Fiel, pg. 330

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