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Não olhe para si, olhe para Cristo

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Anúncios que dizem: “Confie em si mesma” estão por toda parte. Em nossas redes sociais, slogans de roupas femininas e íntimas frequentemente passam a imagem de mulheres independentes, focadas e confiantes em si mesmas. Soa agradável, provocativo e aceitável, mas há algo que os textos e slogans em prol da nossa autossuficiência não nos contam: quando nos tornamos o centro de nós mesmas, isso se torna uma evidência de nossa egolatria. A Bíblia nos ensina que devemos amar a Deus acima de todas as coisas, inclusive acima de nós mesmas. Para o mundo isso é o cúmulo do absurdo, mas para o padrão divino é o ideal. Mas, afinal, qual o problema em ser autossuficiente e independente?

Antes de responder a essa pergunta, quero esclarecer uma questão importante. Nós, mulheres, não somos menos capazes ou incompetentes comparadas aos homens, muito menos temos menor valor para Deus. O que quero tratar não é sobre o que podemos fazer, mas sobre o que há em nossos corações e como podemos ser influenciadas pela afirmação secular de que nos bastamos. Quero poder mostrar a você que há certo perigo nisso e que devemos nos atentar a ele com verdades bíblicas.

Mas, então, o que há de errado com a independência e autossuficiência? Elas tomam indevidamente o lugar de nosso Senhor Jesus como o centro de nossas vidas. O que é para ser sobre Ele, passa a ser sobre nós. É válido que entendamos que Deus nos deu a capacidade para a realização de muitas obras, mas a partir do momento em que tomamos unicamente para si o mérito disso, desprezando as demais coisas e pessoas, não é a voz da graça que ouvimos, mas a voz de nosso ego. Nós vivemos em mundo caído e desatento às ordenanças de Deus, se tornou comum a ideia de que tudo deve girar em torno de nosso mundo pessoal, daquilo que queremos e sentimos, mas essa não é uma ideia plausível, muito menos bíblica.

A Bíblia nos ensina que devemos ter amor para conosco, mas não nos ensina que esse amor deve ser maior que o amor a Deus, pelo contrário, ela reprova esse tipo de amor. É inevitável falar de independência e autossuficiência e não mencionar questões relacionadas ao nosso ego e natureza pecaminosa. Timothy Keller diz:

Søren Kierkegaard em seu livro Sickness unto death [Doença que leva à morte], afirma que é normal o coração humano criar sua identidade em torno de algo que não seja Deus.”¹

Quantas e quantas vezes não somos tentadas a pensarmos que nossa identidade não depende de coisa alguma, senão e exclusivamente de nós mesmas, nos levando a acreditar que nada mais importa se somos suficientemente boas aos nossos olhos? Em sequencia, Keller diz:

Orgulho espiritual é a ilusão de que temos competência, sem Deus, para conduzir a vida, desenvolver nosso próprio senso de valor pessoal e descobrir um propósito grande o bastante para dar sentido à vida.”

A afirmação e necessidade de autossuficiência em nossos corações é um sintoma de nosso orgulho espiritual. Podemos afirmar que amamos a Deus sobre todas as coisas, mas no íntimo do nosso coração pode soar uma voz dizendo que não importa o que ou quem está ao nosso redor, o que importa é se nossas prioridades são baseadas em nosso “eu”. Novamente, cito Keller:

Segundo Kierkegaard, o ego humano natural é fundamentado em algo além de Deus. O ego busca algo que lhe dê senso de valor, de singularidade e de propósito, e nisso ele se apoia. E naturalmente, somos sempre lembrados, se tentarmos colocar qualquer coisa no lugar reservado originariamente a Deus, vai sobrar muito espaço. Tudo que colocamos ficará chacoalhando lá dentro. Não nos esqueçamos, então, de que o ego humano é vazio.”

A independência e necessidade de autossuficiência são movidas por nossos corações egoístas e caídos – o que deve nos levar a sermos vigilantes com tudo aquilo que pensamos e sentimos. Quando passamos a olhar apenas para nossos interesses e nosso “eu”, tiramos o foco de Cristo como o centro de nossas vidas. Perdemos a noção de nossos propósitos e senso de direção. Como escrevi anteriormente, não quero que me compreenda de forma equivocada, não estou afirmando que como mulheres, somos incompetentes com aquilo que fazemos, pelo contrário, Deus nos capacita para todas as áreas em que podemos e devemos glorificá-lo. A questão aqui tratada não é sobre nossas competências, mas em quem nos firmamos: em nosso eu, ou em nosso Senhor.

Ao reconhecermos que somos dependentes de Cristo e sua obra na Cruz, podemos viver sem a necessidade de autoafirmação, porque teremos a humildade de reconhecer que tudo o que há de bom em nós provém dEle. Não posso negar que armadilhas como essa estarão por toda parte, ainda vivemos em um mundo repleto de pecados, mas devemos nos alimentar pelas verdades bíblicas de quem somos em Cristo. E aquilo que somos não pode ser contado em frases de efeitos de slogans, porque somente a Cruz revela nossa queda, necessidade da Graça e o quão somos amadas por Deus.


¹ Tim Keller. Ego transformado: a humildade que brota do evangelho e traz a verdadeira alegria.

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Laureane Antunes

Laureane Antunes

Cristã e tenho 22 anos. Sou criadora do blog Alma com Flores, no entanto, se não fosse pela Graça de Cristo, nada disso seria possível. Apenas em meu Salvador posso florescer.

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