“Então se tiver a chance de ter normalidade, agarre-a”. Me parece, talvez esteja errada, que estamos vivendo em dois extremos: Ou totalmente intelectuais ou totalmente ignorantes. Pessoas que buscam saber de tudo e metem o bedelho em todos os assuntos como se tivessem a receita pronta para solucionar os problemas do mundo; e aquelas que, simplesmente, não se importam com nada além do próprio mundinho de bolha de sabão que criam.

Entretanto, há aquele pequeno grupo de criaturinhas agridoces que sabem equilibrar as coisas e não desperdiçam a oportunidade de serem normais, e é delas que desejo falar gentilmente.

Primeiro, estamos tratando de seres humanos, uma raça que não poderia ser mais complicada de se entender. As plantas, vivem tranquilamente com um pouco de sol e água diariamente. Os bichos, conseguem viver harmoniosamente dormindo na sombra fresquinha mesmo com a cadeia alimentar obrigando-os a caçar outros bichos para sobreviver.

Agora, o tal do ser humano não se contenta com absolutamente nada, vive em busca de mais, sempre deixa as coisas simples para depois e se preocupa demais com problemas insignificantes. Por exemplo, um homem que gasta todos os seus neurônios realizando aquela maldita tabela no Excel porque o chefe pediu com urgência, e chega em casa sem paciência para sentar no sofá e assistir a um filme abraçado com a esposa ou esperar para todos jantarem juntos à mesa.

Eu fico me perguntando qual das duas situações deveria lhe tomar mais o pensamento e lhe causaria mais satisfação, acredito que -não sei se isso tem a ver com sentimentalismo feminino- dedicar tempo à esposa seria mais interessante que preferir agradar o chefe ranzinza.

Veja bem, não estou dizendo para menosprezar o trabalho ou ser irresponsável quanto a ele, quero dizer que as relações mais simples e familiares devem ser a motivação do seu trabalho, e, portanto, prioritárias. Você entrega a tabela ao chefe porque ama sua esposa e não porque ama mais o seu chefe. Da mesma maneira, a esposa cuida dos seus afazeres com responsabilidade porque ama mais o marido e não porque ama primeiramente a sua carreira profissional ou doméstica.

Perdemos a sensibilidade para as coisas mais simples, como o trecho da minha música preferida: ”Oh, simple thing, where have you gone?”. Oh, simplicidade, para onde você foi? Onde estão as crianças brincando na rua? Onde estão os casais se encontrando nas praças? Onde estão os velhos suspiros durante uma ligação interminável de dois jovens apaixonados? Os bilhetes, os cartõezinhos assinados com a marca de um beijo de batom, as flores roubadas dos jardins.

Tudo se transformou em mensagens instantâneas, compartilhamentos em tempo real, sem tempo de imaginar qual será a próxima foto que tirarão juntos e sem precisar esperar a surpresa do rapaz ter se dado ao trabalho de mandar revelar a foto e te entregar num envelope azul no próximo encontro. Ainda existem encontros? Ainda existe aquele frio na barriga quando se abraça? As mãos ainda ficam geladas com um beijo? O coração acelera quando a pessoa está se aproximando? O cheiro do perfume ainda gruda na roupa?

Oh, simple things, where have you gone?

Posso ter perdido o fio da meada com o texto ou ter fugido da ideia inicial, mas acredito que vocês conseguiram compreender meu intuito: sejam normais e valorizem a simplicidade da vida, aproveitem a beleza das coisas, apreciem o canto dos pássaros mesmo e permitam-se sentir as bochechas esquentarem quando receberem um elogio inesperado.

O mundo está cheio de gente querendo aparecer, não faz mal se esconder dos holofotes e apreciar a vista da cidade acesa na sacada da varanda. Simplicidade, minha gente, simplicidade!

Por: Karolaíne Ferraz

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Karolaíne Ferraz

24 anos, sul-mato-grossense, mãe da Valentina, professora e Cristã. Defendo a feminilidade e família usando a Bíblia como manual de instruções obrigatório. Procuro enxergar flores nessa estrada cheia de pedras e regá-las em vez de arrancá-las.

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