Eu me imagino como uma menininha sentada no chão com o rosto sobre os joelhos e os braços em volta deles. Estou encolhida num canto e chorando baixinho para ninguém me escutar, e a única coisa que há ali é a solidão e o vento entrando pela janela aberta que me permite ver o céu noturno. Apesar de eu ter crescido, me vejo diminuir conforme as responsabilidades aumentam e os compromissos chegam no dia certo do mês, estou tão assustada que o meu corpo treme e nem está fazendo frio. Estou com medo de decepcionar quem mais acreditou em mim, quem mais me apoiou quando decidi ter atitudes adultas, quando quis fazer minhas próprias escolhas com base apenas nas minhas vontades.

Como eu sempre quis um futuro brilhante, uma carreira de respeito na sociedade, um título de doutorado, um lar para me abrigar e um marido para chamar de meu amor, agora, percebo que para se chegar a tudo isso é preciso de muito trabalho, esforço e dedicação, mas com medo não sei se irei muito longe. Acredito que qualquer pessoa que chega nessa fase adulta sempre fica com um friozinho no estômago, sempre fica temendo o pior e acabar se frustrando, porque tivemos que sair debaixo das asas de nossos pais ou responsáveis e ainda tem aqueles que, infelizmente, desde cedo tiveram que andar sozinhos, para correr e voar antes de cair num abismo. Agora, iremos alçar voo para encontrar nosso próprio ninho em algum lugar longe da nossa zona de conforto.

E tudo é saudade nessa fase de descobrimento, porque você sente falta da comida que a sua mãe fazia, das conversas engraçadas que tinha com a sua avó sobre o passado dela, de assistir filme com p seu pai e ele ficar abismado com os efeitos especiais, de brigar com o seu irmão mais novo por qualquer bobagem. Quer seu quarto de volta, a sua bagunça, o seu refúgio, a sua cama que tanto ouviu seus lamentos. Você simplesmente quer tudo de volta, mas não pode ter, pelo menos não mais, e é preciso aceitar que foi embora e que irá construir seu próprio. Nesse estágio você pensa em desistir todos os dias, chega até a tirar as gavetas do lugar e puxa a mala empoeirada porque decidiu que essa vida não é para você, que, talvez, os outros que consigam sejam melhores e por isso eles foram até o fim, mas com você é diferente, com você é só até aqui mesmo e adeus vida nova porque quero é meu antigo lar.

Mas então, você bota tudo no guarda-roupa novamente e diz a si mesmo que precisa tentar mais um pouquinho, por mais uns meses quem sabe, só para ver se é isso mesmo que quer para a sua vida. Então, você fica onde está e vai tentando concertar as suas partes que a distância quebrou, vai limpando a sujeira que as memórias fizeram, vai chorando menos e tem semanas que dorme sem derramar uma só lágrima e vê tudo isso como um progresso. Você se vê como alguém forte, analisa as suas escolhas e percebe que estão certas porque é isso mesmo o que você sempre quis e vai lutar até o fim para conseguir. Porque ninguém disse que seria fácil, ninguém falou que você iria sorrir todos os dias e que a felicidade moraria ao lado, ninguém sequer mencionou as chances de você enlouquecer um pouco ou desapegar de seus velhos costumes.

Toda essa vida nova te mudou tanto, eu vejo isso em mim e vejo isso em você. O peso das responsabilidades deixou os seus ombros mais fortes, nadar tanto contra a maré fortaleceu os seus braços que agora suportam carregar os seus medos e você percebe que amadureceu, aprendeu a suportar aquilo o que dizia ser insuportável, a aguentar tudo o que dizia não ser capaz de sentir. É assim mesmo, sempre achamos que vamos voltar como fracassos, mas em vez disso continuamos firmes, às vezes, caindo e levantando, seja chorando ou sorrindo, mas seguindo em frente porque o nosso foco é claro demais para o esquecermos.

Então, não desista daquilo que você sonha todos os dias, se quer mesmo isso para a sua vida e acha que é difícil demais chegar até o fim, peça a Deus forças para continuar. Jesus não nos tirou do mundo, mas disse que iria cuidar de nós sempre, então siga o caminho que Deus permitiu que você trilhasse mesmo que as tempestades se levantem e você quase se afogue nelas. Lembre-se de que sem luta não há vitória e que para colher precisamos plantar, não há outra ordem para o que você tanto almeja. Você irá conseguir e eu também.

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Tatielle Katluryn

20 anos, maranhense, de coração pertencente ao Céu. Quero a cada dia mais transmitir as palavras que Deus quer dizer às pessoas.

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