Antes, eu tinha medo de você voltar, reaparecer com todas as suas armas e eu cair nas suas armadilhas. Por um tempo, tive medo de me enroscar de novo no seu eu e esquecer de mim. Depois de juntar todos os meus cacos, depois de juntar os pedaços que você deixou, estou inteira novamente. Nunca quis um amor super bonde, que viesse apenas para juntar os meus cacos, essa era uma tarefa minha. Depois falam que mulher é um sexo frágil. Mal sabem das poucas e boas que já passei. Hoje, eu consigo ver tudo de uma forma tão nítida que juro, não sei porque demorei tanto tempo para colocar os óculos da realidade.

Você é realmente tudo aquilo que me diziam e eu nunca quis ver, é um sorriso escondido, é uma alma que precisa mudar o visual, andar um pouco na moda, talvez. E a moda da vez é: “Não quebrar um coração”. Realmente, a sua alma é pequena demais e você só sabe sorrir com os lábios. E eu achando que você saberia sorrir com a alma. Realmente, eu não preciso dos seus elogios esporádicos mais e nem preciso da sua confirmação de que o meu novo corte de cabelo combinou comigo. Isso já não me importa mais. Você apareceu para mim de uma forma torta, desconcertada e eu tentei ajeitar tudo, achei que minhas orações sinceras me levariam até você. Mal sabia eu, que elas me levavam a Deus e por saber o que era melhor para mim, Ele não permitiu que você fosse atingido por elas. Talvez, por isso você nunca tenha se comovido com a minha dor ou pareceu se importar comigo. Talvez, por isso eu me contentava com pouco, tão pouco. Migalhas. Talvez, por isso você nunca reparou no meu sorriso sincero e na beleza da minha alma bonita. Talvez, por isso você mentiu tanto sobre si mesmo e sobre um possível nós, inventando histórias e eu acreditando nelas. Hoje, me refiz, e vi que eu posso suportar muita coisa, exceto mentiras. Que as borboletas no estômago já alçaram voo e que sentir aquele friozinho na barriga pode ser um sinal de alerta.

Aprendi que cuidado nunca é demais e que, às vezes, é preciso tirar um tempo para a gente se refazer. Aprendi que a sua beleza pouco me importa se ela não é reflexo de uma alma bonita, que as suas palavras não comovem mais o meu coração porque ele está bloqueado para os enganos. Então, se quiser pode aparecer, pode voltar, não tenho mais medo de estremecer, não tenho mais medo de me desfazer e me encontrar em você. Não tenho mais medo dos seus jogos e do seu charme. Eles não me prendem mais. As suas ferramentas são frágeis e só machucam um coração disposto a amar. Eu prefiro um afeto verdadeiro, um cafuné sincero e um papo descontraído num sábado a tarde. Prefiro não ter que esperar elogios e prefiro que eles sejam sinceros. Prefiro que alguém segure a minha mão enquanto eu vejo aquela roupa na vitrine e que não tenha vergonha de dizer aos amigos: “É ela”. Prefiro beijos na testa enquanto espero o elevador e mensagens inesperadas como quem quer ficar de vez e não por um momento. Prefiro muito e em uma coisa você tinha razão, eu sou intensa demais, eu quero mergulhar. Depois de me recompor eu vi que você tinha razão quando dizia “Eu não mereço você”, mesmo usando isso como desculpa, você tinha razão.

Eu não mereço pouco. Não preciso mais fazer pose e nem tentar fazer você ver a mulher incrível que eu sou. Não preciso mais fazer você acreditar a qualquer custo que eu sou o melhor para você. Não preciso mais disso, porque eu já me convenci de que sou tudo isso e que mereço muito mais do que você podia me oferecer. Fique com os seus enganos, com os seus planos. Fique comas suas armadilhas, eu não caio mais nelas.

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