Sinto como se tivesse sido ontem, eu estava deitada em minha cama, no escuro do meu quarto, ouvindo “Estás comigo”, cantada por Gabriela Rocha. O meu corpo estava completamente encolhido, meus braços abraçavam minhas pernas com força suficiente para me sentir confortável do jeito que estava. Eu chorava baixinho, entre os soluços. Os meus olhos estavam fechados, mas de alguma forma que ainda não sei explicar, eu me via. Via o meu corpo encolhido se contorcendo a cada lágrima que surgia. A música continuava e cada vez que se repetia, a dor me sufocava com maior força.

A verdade? Foi desesperador. No mesmo instante em que eu chorava baixinho, também orava baixinho. Eu sei que apesar de não ter visto algo além de mim, Jesus estava deitado ao meu lado, enxugando cada lágrima que surgia em meu rosto. E no mesmo momento em que eu ouvia o seguinte trecho daquele canção: “Eu sei que estás comigo. Eu sei que não me deixas sozinho em minha luta. Eu sei que vens agora para gravar em meu coração, que Tu és minha salvação”, minha alma desesperada e ferida agarrava a fé que tinha de que estava sendo acolhida por Deus. Naquela noite, os braços de Jesus me acolheram. Adormeci chorando, mas adormeci no colo Dele. Mal sabia eu, que aquela noite triste estava apenas de passagem.

Há momentos em que chorar é exatamente o que precisa ser feito, se contorcer de dor também, porque fingir que as feridas não estão ali, na alma, é apenas uma falsa escapatória. Por um período, permiti que o desespero me dominasse. Tudo parecia tão imutável que minha esperança já não era mais a mesma. A solidão me perturbava, meu coração pedia um basta. E um basta aconteceu.

Um basta na solidão, na dor, nas feridas, na decepção. Foi Jesus. Dei trabalho para Ele, fui teimosa, medrosa, desesperada, mas nunca abandonada. Os choros já não eram mais possíveis de serem controlados a cada queda e eu corria para Ele sem saber o que fazer. Ele me dizia para continuar, mas da próxima vez sem olhar para trás. E eu tentei. Falhei. Tentei de novo. Chorei. Caí. Chorei de novo. Cutuquei a ferida. Me arrependi. Chorei. Insisti. Tropecei. Insisti de novo. Não olhei para trás.

Agora, quando me pergunto se pudesse voltar no tempo o que eu faria, respondo que deixaria tudo do jeito que está. As marcas das minha feridas, apesar de curadas, estão em minha alma para que eu possa me lembrar quem eu era e quem sou hoje. Cada consequência dos meus erros me incentivaram a crescer em maturidade e, principalmente, espiritualmente.

As tempestades tentaram arrancar do meu coração as raízes da minha fé, mas ela estava sendo regada por minhas lágrimas e fortalecida. O que, antes, se abalava facilmente, hoje, está mais resistente. Que bom que não desisti.

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7 COMENTÁRIOS

  1. Ai moça… Se eu te disser que faço das tuas palavras as minhas, tu acredita? É bom saber que não é loucura minha ser grata às feridas. Hoje mesmo estava a sentir murros no estômago lembrando do passado e pensando no futuro, e as suas palavras me serviram como um bálsamo para a minha alma, ao me lembrar que Deus está pertinho a consolar nossas dores.

    Amo teus escritos, moça. Não deixe de escrever nunca <3

    https://tesourosaovento.blogspot.com/

  2. é tão bom quando Deus fala conosco! Eu me via em cada palavra que vc escreveu, tenho passado momentos assim, mas o Senhor é tão fiel que Ele trás luz onde só existe escuridão ! Glóriaaaa Deus ! ♥

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