“Ei, Deus! Você está aí? Pode me ouvir? Ou estou apenas conversando com as paredes? Nunca me atreverei a dizer que as minhas dores são as maiores do mundo ou as mais importantes, mas é possível ter um pouco da sua atenção? Veja, não estou pedindo muito, apenas escute o que meu coração tem a dizer”, essas foram as minhas palavras em mais uma oração. A minha fragilidade já me fez pensar diversas vezes que ter um pouco da atenção de Deus era pedir muito. Já sofri em silêncio, engoli o choro na frente de muitos, inclusive de Deus. “Perdão por estar chorando tanto, não quero incomodá-Lo”, eu dizia em desespero. Suportar a dor sozinha parecia ser mais conveniente, e esse é um dos problemas da dor, os grandes muros que ela cria.

Perdi a conta de quantas vezes deitei a cabeça no travesseiro para dormir e ao fechar os olhos sentir uma avalanche de lembranças ruins bagunçando os meus sentimentos. Isso significa que Deus estava distante? Não. Isso significa que não sou fortaleza. Ninguém é. Todo coração sofre. Todo coração tem as suas próprias guerras. E o meu tinha as suas. O meu grande erro não foi não saber lidar com as minhas dores em determinados momentos. O meu grande erro foi pensar que Deus havia me deixado para escanteio.

A dor bagunça as certezas, semeia o caos, deixa a visão turva. A fragilidade do meu coração o tornava alvo fácil – e até hoje não me arrependo por ter um coração sensível. E ao escrever sobre a dor e a minha sensibilidade, minha memória traz à tona uma simples lembrança. Certa vez, estava orando no escuro do meu quarto, mais precisamente chorando como se nunca fosse parar. Perguntava repetidas vezes onde Deus estava, implorava para que todo aquele sofrimento chegasse ao fim. Minha esperança estava fraca. Minha fé abalada. Estava sentada no chão, quando por um impulso de raiva, dor, tristeza, afirmei em alto e bom som: “Você me abandonou! Abandonou como outras pessoas me abandonaram. Você, me abandonou, Deus…” As lágrimas não paravam, o meu coração parecia estar sendo espancado. Continuei no chão, encostei a cabeça na parede e ali fiquei, em silêncio por alguns minutos. Os meus olhos estavam cansados, meu corpo e minha alma também. Mas lembro perfeitamente, o silêncio foi quebrado quando iniciei um canto baixinho, como se não pudesse controlar: “Tu és minha vida, Jesus. És meu amigo. E a tua vontade, doce Espírito, meu alimento. Sem ti, não há valor em mim. Sou como um vaso de barro, pronto a ser quebrado, para ser o que queres de mim…”

Naquela noite, no escuro do meu quarto, senti com tudo de mim o quanto Deus estava perto. O meu coração não é blindado contra as traições, dores e decepções. Mas o meu coração é cuidado por Deus nas traições, dores e decepções. Se Ele pode impedir? Sim, Ele pode. Mas o que meu coração poderia absorver sem as pancadas da vida? E o aprendizado? A dor não é bonita, mas o que pode ensinar é bonito. Ela é uma pedra no sapato, mas também é uma ótima professora.

O que apresento para você, hoje, são as cicatrizes de feridas que foram curadas por Deus. Se ainda irei me ferir? É claro, sem dúvidas. Mas serei cuidada e curada, como fui. E sempre serei.

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1 COMENTÁRIO

  1. Conheço esse blog a uma semana, e estou sendo edificada pelas sua palavras. Sinto Deus em cada frase, eu simplesmente peço a Deus que venha te encher de graça e unção para que suas palavras venham alcançar outras vidas, assim como alcançou a minha.

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